Escola do amor

A VERDADEIRA ESCOLA DO AMOR

Walter Barcelos (Uberaba – MG)

walter.b@terra.com.br

“Saber não é tudo. Só o amor consegue totalizar a glória da vida. Quem vive respira. Quem trabalha progride. Quem sabe percebe. Quem ama respira, progride, percebe, compreende, serve e sublima, espalhando a felicidade”  André Luiz 

(O Espírito da Verdade, Autores Diversos, Francisco Cândido Xavier – Waldo Vieira, Lição 78: “Na exaltação do Amor” – Edição FEB)

Realizou-se, nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 2008, com enorme brilhantismo doutrinário e ótima participação de público especializado o 3º Congresso Brasileiro de Pedagogia Espírita, na cidade de São Paulo. Este importante evento teve na Profa. Dora Incontri a principal energia intelectual para a promoção, estímulo e conteúdo programático, tendo a seu lado uma equipe de respeitáveis expoentes da cultura espírita e universitária. O tema escolhido para o importante encontro pedagógico foi “ENSINAR TUDO A TODOS”. A respeitável Profa. Dora Incontri explicou como a Pedagogia Espírita pode ser um projeto de inclusão integral: 

Nós temos que fazer uma escola não somente para os alunos da periferia, mas, sim, para os nossos filhos estudarem com estes alunos. Esta igualdade vai tornar a Pedagogia Espírita ao alcance de todos, sem privilégios ou distinções”. 

Logo depois, a expositora tcheca Bahumila Araújo abordou “Commenius e o Projeto de ensinar tudo a todos totalmente”. 

Nosso intuito não é comentar os conteúdos do extraordinário evento, porém analisar e interpretar a excelente mensagem psicografada, no final do 3º Congresso, pelo médium Franklin Santana Santos. A mensagem intitulada: “Uma Escola Chamada Amor” de autoria dos espíritos Johann Heinrich Pestalozzi e José Herculano Pires. Tomamos conhecimento dela, através do mensário Correio Espírita, ano IV, nº. 42, dezembro de 2008, página 9 – Niterói-RJ.

Prática da Pedagogia Espírita 

O respeitado espírito Pestalozzi destaca a prática do Evangelho: 

É chegado o momento da vivência e prática dos ensinamentos do Mestre por excelência: Jesus! A prática da pedagogia espírita nada mais é que a vivência desses ensinamentos”.

Indispensável viver o Evangelho de Jesus para testemunharmos da melhor maneira possível o que ensinamos com os lábios, explicamos com o raciocínio lógico e pregamos com muita emoção na divulgação do Espiritismo.

Quem ensina com amor conquista com naturalidade: o coração do discípulo, os sentimentos do aprendiz, a afeição do aluno, a alma do educando. Com estas condições psicológicas, pode-se trabalhar com segurança os seus desejos e tendências e dirigir sua vontade frágil para o caminho do Bem, das virtudes morais, ideias superiores e vida digna. 

Nos dias tormentosos que passamos, em vista do crescimento avassalador do materialismo existencial que domina inteligências, destrói corações e atola as mentes ainda frágeis nas trevas densas, que nós, espíritas, sinceramente desejosos de contribuir por um mundo melhor trabalhemos a educação da alma, a educação da mente, a educação do coração, a educação dos sentimentos, a educação dos bons hábitos, enfim, a formação do bom caráter. 

Socorrer a Alma Humana

Espiritismo não é só um movimento intelectual de grande amplitude na Terra: é primordialmente movimento espiritual universal que visa a atender e socorrer as necessidades mais profundas da alma humana vinda de vidas passadas onde experimentou dramas dolorosos e tragédias de ódios e paixões. 

Crianças e jovens não são espíritos novos nem inexperientes da vida: são espíritos velhos que vêm de um longo drama humano de muitos e muitos milênios… 

Precisamos crer com a verdade da Reencarnação que crianças e adolescentes, em sua maioria, são espíritos sobrecarregados de problemas morais e espirituais, não só ignorância de conhecimentos espíritas. Carregam no inconsciente – imenso e profundo arquivo psíquico de experiências reencarnatórias – graves problemas morais na consciência e no coração. 

Inadiável ajudar com séria ação evangelizadora educacional –  ENSINO DA VERDADE e PRÁTICA DO AMOR – a alma humana sobrecarregada de ignorância espiritual, imaturidade emocional, fraquezas dos sentimentos, tragédias passionais, fracassos nas funções familiares, quedas afetivas, fracassos conjugais, vícios sexuais, crimes passionais apresentando desequilíbrios psíquicos, psicopatias, complexos de culpa e desorientação de viver. Estes graves problemas morais e espirituais tanto surgem no espírito de crianças, jovens e adultos.

Trabalhar para a boa assimilação da inteligência que raciocina, registra e arquiva banindo a ignorância espiritual. Socorrer também e melhor ainda os sentimentos e o caráter de crianças e jovens que frequentam as casas espíritas e adentram as salas apropriadas de Evangelização Infantil ou Mocidade. 

Para o êxito educacional indispensável a união de esforços dos diretores de Centro Espírita com os pais espíritas, os pais e mães com os evangelizadores da criança, o ensino espírita nas salas de aulas com a missão educadora dos pais no ambiente familiar. 

A administração mais importante na Casa Espírita – que mais agrada a Jesus e a Espiritualidade –, é a realizada com o coração evangelizado que ama e instrui, socorre e ajuda, ilumina e soergue as almas sofredoras, frágeis e descrentes que chegam a todas as frentes de trabalho principalmente aquelas que lidam diretamente com crianças e jovens. 

Diferença Entre Ensinar e Educar

A educação da criança espírita não poderá limitar-se tão somente ao trabalho de ensinar a Doutrina Espírita pela palavra enriquecida de conteúdo doutrinário. O sábio espírito Emmanuel descreve com muita propriedade a diferença fundamental entre as funções do DOUTRINAR e EVANGELIZAR: 

Há grande diversidade entre ambas as tarefas. Para doutrinar, basta o conhecimento intelectual dos postulados do Espiritismo; para evangelizar é necessária a luz do amor no íntimo. Na primeira, bastarão a leitura e o conhecimento; na segunda, é preciso vibrar e sentir com o Cristo”. 

(O Consolador, Emmanuel, Francisco Cândido Xavier, questão nº. 237, Edição FEB) 

Doutrinar é teorizar e verbalizar, expor e explicar o universo de conhecimentos da Doutrina Espírita, espalhando com sabedoria, racionalidade e excelente didática aquilo que se conhece com lucidez, certeza e convicção.  

Evangelizar é ação de amor que nasce do coração sensibilizado do educador, do instrutor ou do evangelizador. É a vivência do Evangelho de Jesus, a prática do amor cristão, a exemplificação das virtudes evangélicas beneficiando, assistindo e fortalecendo as criaturas.  

A atividade doutrinar trabalha especificamente a inteligência e o raciocínio do aluno, enquanto a atividade evangelizar trabalha precipuamente os sentimentos e as emoções do aprendiz ou do evangelizando, para tal é indispensável atuar com o coração iluminado pelo amor do Cristo.

O ensino verbal de Doutrina e Filosofia, Ciência e Evangelho dentro do acervo do Espiritismo informam, registram e acumulam nas engrenagens do cérebro do aprendiz, desenvolvendo as potências da inteligência: o raciocínio, a concentração, a memória, a análise, a imaginação e a reflexão. 

O que se aprende e arquiva no cérebro, em verdade, não se aloja de maneira automática nos sentimentos. O coração espiritual é departamento sublime da mente, arquivo psíquico de todos os bons ou maus sentimentos, das virtudes evangélicas, das imperfeições morais, das más tendências, das impulsividades, dos temperamentos. Nele se aloja a fonte e a raiz das más ações, má conduta, vícios graves, fortes tendências para a delinquência e latrocínio, homicídio e suicídio. 

A palavra que espalha o conhecimento espiritual sem a prática do Evangelho terá pouco efeito de melhoria sobre a conduta e comportamento do aprendiz da fé espírita. O espírito André Luiz esclarece: 

“… as cristalizações mentais de muitos anos não se desfazem com esclarecimentos verbais dum dia”. 

(Missionários da Luz, André Luiz – Francisco Cândido Xavier, cap. 11: ”Intercessão” – Pág. 131 – 8ª edição – FEB) 

Toda melhoria moral do espírito começa nas energias supersensíveis do coração espiritual de crianças e jovens. É no coração que nascem o desejo, a vontade, a intenção, o interesse, o esforço, a dedicação, a obediência, a disciplina. Estes fulcros energéticos da alma constituem a base da autoeducação e formação dos bons hábitos em qualquer fase do espírito: crianças, pré-adolescentes, mocidades, adultos e idosos.

Quem pratica o amor cristianizado consegue de forma calma e pacífica infiltrar o universo dos sentimentos problemáticos do educando, promovendo registros psíquicos sensíveis de momentos agradáveis, ajudando o aprendiz a acreditar no Bem, no Amor, na Virtude. Fortalece o mundo de sentimentos do aprendiz para a sua própria transformação, auxiliando-o silenciosamente e gradativamente para o autoenfrentamento e autoeducação, no curso dos anos na existência humana. Sem este processo não haverá evangelização profunda do ser humano e nem a tão falada educação da alma.

As funções do cérebro não são as únicas que merecem ser trabalhadas no pequeno espaço de tempo de uma aula de evangelização espírita para crianças e jovens. 

O núcleo fundamental do espírito é o coração: o santuário de sentimentos de onde se originam a vontade, a energia e a determinação de qualquer pessoa para sua verdadeira melhoria por dentro de si mesma.  

Nosso Divino Mestre Jesus quando ensinava, esclarecia tanto o raciocínio como o coração de seus discípulos. Ao discípulo Tomé pronunciou este maravilhoso ensinamento: 

A nossa senha, Tomé, é a nossa própria exemplificação, na humildade e no trabalho. Quando quiseres esclarecer o espírito de alguém, nunca lhe mostres que sabes alguma coisa; sofre, porém, com as suas dores e colherás resultado. A redenção consiste em amar intensamente”. 

(Boa Nova, Humberto de Campos, Francisco C. Xavier, lição 16: “O Testemunho de Tomé”, FEB) 

Quem ama com Jesus no coração, na mente e no ideal não age com violência, não exige que o aprendiz seja forte na moral de maneira rápida, vencedor em pouco tempo e se modifique na conduta tão-só por que aprendeu algumas verdades pela Doutrina Espírita bem explicada. Sabe aplicar a ciência de esperar com serenidade, suportando com paciência esclarecida as dificuldades e lutas, fraquezas e fracassos, quedas e reincidências do aprendiz desatento, problemático e leviano. 

Não basta gastarmos em demasia o raciocínio, exagerar a dose de informações por acumular tesouros de conhecimentos de ciência e filosofia, religião e moral para a inteligência de crianças e jovens, sem trabalharmos com profundo e atento amor dedicado na melhoria da organização psíquico-mento-afetivo-emocional de cada um deles.  

O trabalho sério, intenso e profundo de educação da alma de crianças e jovens não pode dispensar a ação benéfica a seu mundo íntimo. O espírito André Luiz brindou-nos com esta sentença genial: 

A educação da alma é a alma da educação”. 

(Conduta Espírita, Waldo Vieira, lição 42 – “Perante a Instrução” – FEB)   

O grande desafio de nós espíritas será transformar o serviço do ensino teórico-verbo-doutrinário espírita em verdadeiro processo psicoafetopedagógico de doação simultânea: a Instrução Doutrinária Espírita acrescentada à Caridade Moral e à Caridade Espiritual. Esta soma moral de qualidade que ocorre dentro de cada agente da educação: instrutor espírita, evangelizador da criança espírita e educador espírita fazem acontecer a maravilhosa fusão divina da Verdade e do Amor para o verdadeiro socorro às almas de crianças e jovens. 

Nós espíritas sinceramente interessados na Educação Moral das Almas necessitamos perguntar sempre: o universo de sentimentos no espírito de nossas crianças e de nossos jovens, como estão? 

A educação da mente e do coração em cada espírito necessita deste trabalho sério, profundo e bastante ativo de Sabedoria e de Amor. 

O Poder do Amor

Prossegue com veemência o amoroso Pestalozzi: 

E para aconchegar e acolher todas as almas que habitam esse planeta precisaremos de muito amor. Um amor que transborde dos nossos corações, que nos tome por inteiro, que arrebate o nosso intelecto, que se transforme numa febre, em um ardente desejo através do qual pensamos, respiramos, sonhamos e vivenciamos esse sentimento divino por excelência”.

O sábio Pestalozzi expõe sobre o AMOR DE JESUS, que deverá unir-se às técnicas pedagógicas do ensino formal, para logo em seguida transbordar e ultrapassá-las, vencendo as barreiras rígidas da aprendizagem exclusivamente racionalizada. Com as energias do amor evangelizado, vamos confraternizar, dialogar e interagir profundamente com a complexa alma e desconhecido coração de crianças e adolescentes – nossos irmãos mais novos na roupagem física. 

A Educação que propõe Pestalozzi é a vivência com devotamento e abnegação do amor de Jesus Cristo, do amor fraternal, do amor incondicional, do amor que não desanima, do amor que não violenta, do amor que não fere, do amor que compreende, do amor que esquece a si mesmo, do amor que sente o outro verdadeiramente como irmão, como filho, como familiar. 

O amor grande, elevado, superior deverá surgir do coração de quem trabalha na educação da alma, será sempre motivado, sempre alegre e sempre voluntarioso, aplicando sentimentos de misericórdia, compaixão e indulgência. Tudo enfrenta por amor e coragem, mesmo quando o relacionamento com os alunos se torna complicado e violento, dramático e perturbador. É aí, nesse ambiente às vezes difícil, desafiador e imprevisível que o verdadeiro amor deverá transbordar-se…

O educador evangelizado trabalha com seriedade os alunos de melhores condições morais e psicológicas e dedicará ainda muito mais amor, mais dedicação e mais abnegação àqueles em condições íntimas de indisciplina, rebeldia e desobediência. Estaremos educando com Jesus aplicando aulas de moral prática, amor vivenciado e fé viva! 

O amor do Cristo é indispensável na escola do mundo e na escola da alma, porque tão somente ele tudo suporta, tudo sofre, tudo vence, mormente nos dias conturbados da atualidade no mundo. O espírito André Luiz afirma com segurança: 

O amor é a base do ensino”. 

(O Espírito da Verdade, Autores Diversos – Francisco Cândido Xavier-Waldo Vieira, lição 16: “Educação” – FEB). 

A verdadeira escola espírita na formação do caráter e da moral de crianças e jovens sobressairá com as edificações intelecto-doutrinário-moral-espiritual de cada educador, evangelizador ou instrutor que deseje ensinar servindo com a luz da união de cérebro, alma e coração. 

Para educar a alma sobrecarregada de complexidades do orgulho, indiferença do egoísmo e tantas inferioridades morais, o educador de Jesus se esforçará mais com as energias do coração: sentir a verdade, compreender o amor, cultuar o amor fraternal, vivenciar o amor desinteressado, praticar a caridade evangelizada. Promoverá fusões espirituais que produzem beleza de educação do espírito: amor com o conhecimento, fé com caridade moral, brandura com energia, a fim de conquistar o coração do aprendiz para a Lei do Amor de Deus.

Observar de coração sensibilizado o espírito de cada criança e cada jovem que trazem no seu inconsciente profundo os pesados fardos de desequilíbrios no sentimento e na consciência provindos de maus comportamentos de vidas passadas. Amá-los sem conservar ilusões, ingenuidades e fantasias a seu respeito por causa de suas qualidades da inteligência apresentadas em sala de aula. 

Educação da Alma

Para seguir a JESUS, ser discípulo de PESTALOZZI e adepto sincero de KARDEC, imprescindível à nossa formação moral-intelecto-religiosa corrigirmos nossas imperfeições morais, educando os próprios sentimentos e muito especialmente desenvolver o amor fraternal, dinâmico e construtivo. O amor que não produz a felicidade alheia não é amor: é egoísmo, comodismo, ilusão.   

Trabalhar na ESCOLA DO AMOR DO CRISTO amando e educando, socorrendo e amparando as almas (especialmente de crianças e jovens) que merecem não somente o conhecimento doutrinário bem explicado, mas a assistência evangelizadora mais afetiva, mais amorosa e mais amiga. 

Educação do espírito de crianças e jovens é muito mais um processo pedagógico amoroso de ajudá-los a carregar, superar e resolver com fé e amor o seu destino problemático. 

Prestigiemos a EDUCAÇÃO DA ALMA, que estimula, fortalece e encoraja o espírito do aprendiz a vencer suas próprias fraquezas e torturas da mente, as más tendências, os maus sentimentos, os hábitos nocivos, as emoções inferiores e os desejos perversos. 

O aprendiz que tanto interessamos educar tanto poderá estar numa sala de aula da casa espírita como poderá estar outras vezes em seu próprio ambiente social: famílias sofredoras, favelas, escolas de primeiro e segundo grau, reformatórios, penitenciárias, instituições de apoio ao menor infrator, antros dos viciados nas drogas, prostituição, gangues de jovens violentos, centro de recuperação de drogados, hospitais psiquiátricos, sanatórios espíritas.  

Aquele que explana e explica os conteúdos doutrinários espíritas (nos templos espíritas, salas de aula de Evangelização Infantil e Mocidades, curso de ESDE e outros reuniões de estudos doutrinários), aplicando o verdadeiro amor ao público ouvinte, transforma-se, pelo seu coração devotado, em servidor amoroso no reajuste das emoções doentias, irmão magnetizador no reequilíbrio de suas energias psíquicas desordenadas e enfermeiro paciente atuando no inconsciente atormentado dos pequeninos e jovens que ouvem e emocionam, raciocinam e aprendem. 

O verdadeiro educador com Jesus não limitará sua função tão somente em ensinar com maestria pela palavra sábia e inspirada. Agirá com mais intensidade fazendo brotar de seu coração cheio de boa vontade a alegria, a motivação e a inspiração superior. 

As ferramentas da evangelização profunda da alma são: Fé e Amor, Conhecimento Aprofundado e Método de Aprendizagem, Atenção Espiritual e Cuidados Morais, Diálogo e Orientação, Empatia e Simpatia, Amizade e Bondade, Paciência e Esperança no relacionamento afetivo cristianizado perante cada aluno, ou seja, cada espírito encarnado.

Os instrutores e evangelizadores necessitam naturalmente de cômodo apropriado e preparado para ensinar com proveito a Doutrina Espírita. Porém as aulas práticas do amor de Jesus não têm lugar específico para o seu santo ministério. Tanto podem ser dentro de uma sala de aula ou fora dela, qualquer lugar da escola ou do centro espírita ou mesmo fora deles. É por isso que o Divino Mestre Jesus ensinou ao ar livre, nas estradas, nos montes, nas estradas, nas praças. JESUS era o próprio Amor caminhando, agindo, abraçando, dialogando, ouvindo, ensinando, amando, educando… 

O espírito Emmanuel expressa grande verdade entre o amar e o ensinar:

 “O coração que compreende e ajuda supera em grandeza a inteligência que estuda e ensina”. 

(Dicionário da Alma, Autores Diversos, Francisco Cândido Xavier, pág. 92 – Edição FEB). 

Segundo as palavras do espírito Emmanuel os sentimentos cristãos são bem mais importantes para a EDUCAÇÃO DA ALMA do que as aplicações brilhantes da inteligência: raciocinar e calcular, observar e comparar, memorizar e imaginar, recordar e questionar. 

A prática do AMOR DE JESUS deixa pingos de luz da sabedoria, impressões afetivas agradáveis, estímulos psíquicos de coragem, sinais psíquicos de satisfação, sementes divinas de caridade moral nas ideias e nos sentimentos dos aprendizes, ajudando-os a viver melhor e vencer suas lutas e provações.  

As aulas enriquecidas e muito vivas de sentimentos de amor não podem ser organizadas e nem planejadas nas apostilas de aulas doutrinárias. A apostila do verdadeiro educador de almas é o próprio coração amoroso, dedicado e voluntarioso.

Nas salas de aprendizagem espírita devem ocorrer simultaneamente: aulas de beleza doutrinária e as práticas de invisível beleza de amor evangelizado.

Aquele que ama, ensina e serve com Jesus trabalha com êxito educacional onde estiver, em qualquer lugar, a qualquer momento, nas horas de alegria ou tristeza, dificuldades ou grandes dores, lutas e sofrimentos, nas fases de confusão e desordem ou grande paz. 

Quantos trabalhadores de JESUS não praticaram com eficiência espiritual o MÉTODO INFALÍVEL DO AMOR que socorre, educa e salva?! Dentre muitos, podemos registrar: Simão Pedro e Paulo Apóstolo, Estêvão e João Evangelista, Maria de Nazaré e Maria Madalena, Francisco de Assis e Madre Teresa de Calcutá, Allan Kardec e Chico Xavier, Bezerra de Menezes e Anália Franco, Eurípedes Barsanulfo e Corina Novelino. 

Estes grandes corações foram todos excelentes educadores de almas que realmente agradaram muito a Jesus. Em verdade, não utilizaram instrumentos técnico-pedagógicos e nem salas apropriadas para ensinar, contudo amaram, conviveram, socorreram, serviram, ensinaram, educaram e salvaram milhões de criaturas encarnadas e desencarnadas das malhas da sombra e crime, vício e perturbação.

Iluminando Corações

A meta da Verdadeira Escola do Amor será sempre atingir e desenvolver bem mais os sentimentos do que as potências da inteligência de cada criatura-alvo da educação espírita. 

Quem verdadeiramente ama ensina a verdade e educa alguém para Deus por onde encontrar seres humanos necessitados de esclarecimentos e sofredores carentes de assistência da alma.

O aluno assimilará a verdade espiritual no raciocínio próprio, 

o aprendiz exercitará a lucidez espiritual da importância do bem aos outros, 

o evangelizando sentirá a beleza da prática do amor ao próximo, 

o discípulo seguirá o caminho da prática da fraternidade universal, 

o atormentado aprenderá a crescer na fé viva em Deus, 

o enfermo trabalhará o exercício moral da resignação, 

o deficiente físico explorará as excelentes reservas íntimas na vontade da superação de suas limitações, 

o obsedado obterá forças libertadoras para vencer as algemas psíquicas da perturbação, 

o irmão presidiário conquistará luzes espirituais para libertação íntima do mal que o infelicita, 

o toxicômano obterá as forças mentais de fé corajosa para vencer as tentações do vício e fraquezas morais, 

ao jovem delinquente fará ressurgirem forças desconhecidas para vencer os maus hábitos, 

o descrente da existência de Deus se levantará do túmulo obscurecido de si mesmo para a luz radiosa da esperança, 

o faminto do corpo aprenderá a acreditar no bem que ele mesmo pode fazer em função do bem que recebe fraternalmente, 

o abandonado nas sarjetas do desprezo desenvolverá as próprias energias interiores acreditando nas realizações por si mesmo que o libertará, 

o indivíduo rebelde acabará aceitando a força abençoada da paz íntima vencendo a violência que o escraviza, 

o desiludido de viver empreenderá forças novas para alcançar  metas novas e ideais nobres.

 Nenhuma bela construção moral e espiritual surgirá de imediato na personalidade humana, tão-só por ensinarmos conteúdos doutrinários e evangélicos.

A educação da alma, em verdade, está muito mais além da grandeza de ensinar Doutrina e Evangelho a beneficiar inteligência e raciocínio de crianças jovens. A verdade espiritual bem ensinada quando alimentada e envolvida pelo amor do instrutor ou evangelizador semeia com prudência e disciplina, planta com sabedoria e segurança e obtém a colheita dos frutos sadios da transformação moral, elevação de ideias e melhoria de sentimentos ao longo dos dias e dos anos da experiência humana. 

Combatendo os Maus Hábitos

O lúcido espírito Pestalozzi relaciona desafiadoras indagações: 

Como aprenderemos a respeitar as nossas diferenças de raça, sexo, religião, condição social, intelecto-moral, de nacionalidade, etc., entre tantas outras? Acreditais que estas diferenças desaparecerão num passe de mágica? Sim, porque antes de colocarmos um tijolo, uma argamassa, para construirmos os edifícios, precisamos vivenciar este sentimento, porque aí, sim, estaremos preparados para construirmos a escola fincada na rocha sólida e inabalável”.

Os maus hábitos são reflexos psíquicos arquivados de forma indelével nos escaninhos indevassáveis da subconsciência de todo espírito e foram acumulados através das encarnações sucessivas, na fieira das experiências nos séculos e milênios. Estes reflexos não serão eliminados da alma do educando tão-somente por estar recebendo excelente conteúdo verbal de moral e doutrina religiosa. Estes reflexos psíquicos desequilibrados não se desligam da memória profunda da personalidade espiritual de forma maquinal, automática e por força de algumas mudanças externas. Todas as atividades educativas sem a contribuição das energias múltiplas do amor serão agentes superficiais e não atingem a realidade profunda do espírito eterno. 

Os aprendizes da Verdade e do Bem, de qualquer procedência, devem receber o contato fecundo, saudável e estimulador do BOM EVANGELIZADOR, através da convivência cristianizada, relacionamento afetivo, bons exemplos, fé raciocinada no entendimento da Verdade, fé viva em Deus e no coração, ações dignas, prática da caridade moral, conversação elevada, diálogo amigo, orientações morais específicas, amizade sincera, apoio emocional. 

As energias quentes do coração cristianizado quando bem aplicadas com o dinamismo construtivo do amor funcionarão na alma do aprendiz, do aluno ou do irmão assistido à semelhança do processo de aquecimento moderado e contínuo efetuado pelas aves pacientes quando chocam seus ovinhos no ninho acolhedor. 

A Escola do Cristo

O amoroso Pestalozzi prossegue: 

“E, então, poderá vir o sopro das revoluções ou das transformações do tempo, e ela permanecerá de pé, porque foi construída não com o pó e terra, porque igualmente está dito no livro Gênesis, que “és pó e ao pó retornarás”, mas assim não sucederá com a escola do Cristo, porque ela foi construída com palavras de vida eterna, porém, mais do que palavras, esta estará alicerçada com os tijolos das nossas vivências do sentimento que nos tornam divinos: o Amor!”.

A doação do imbatível amor será bem mais eficiente para a educação moral de crianças, jovens e adultos do que todos os recursos de livros doutrinários, apostilas, material didático, técnicas pedagógicas e mesmo as novas instrumentações tecnológicas de informática e computação, telecomunicações e Internet. 

As energias do amor fecundo ensinadas por Jesus Cristo deverão intensificar e transbordar intensamente dos corações de educadores e evangelizadores, professores e instrutores.

O lúcido espírito André Luiz adverte-nos quanto aos prejuízos espirituais das aulas de Doutrina Espírita sem fé viva e sem o amor evangelizado: 

Toda aula deve nascer do sentimento. Automatismo na instrução, gelo na ideia”. 

(O Espírito da Verdade, Autores Diversos, Francisco Cândido Xavier – Waldo Vieira, Lição 16: “Educação”, pág. 41 – Edição FEB).

O Espiritismo, quando bem praticado, alcança o raciocínio e a mente de crianças, jovens e adultos.  Atua com seriedade educacional, somando KARDEC que raciocina, ensina e liberta, a JESUS, que ama, educa e disciplina. 

O planeta Terra é bendita Escola do Cristo e os alunos somos todos nós: a grande família espiritual constituída de todos os povos e nações da Humanidade.

Uberaba – MG, agosto de 2009.

(Do Anuário Espírita 2010)

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